quarta-feira, 3 de agosto de 2011

E o nome dele é... CONCA!

Sim, Dario Conca, o ex-jogador do Fluminense, atual jogador do Guangzhou Evergrande, da China.  A escolha do nome, não foi devido as habilidades do jogador, nem devido a paixão do Vito pelo Flu, sem dúvida – até porque Frederico é Botafoguense e, seguindo essa lógica, o mais adequado seria nomeá-lo Loco Abreu – mas pela própria sonoridade do nome. Questões fonéticas. Frederico sorriu satisfeito, após a sugestão. Con-ca. C-o-n-c-a. Conca, Conquinha. Gostoso de falar, gostoso de ouvir.
Nos conhecemos numa feirinha dessas de adoção, na pracinha do Bairro Peixoto. Ele estava lá quietinho, no meio do cercadinho, onde outros maiores faziam festa e se exibiam. Mas sua meiguice e carência nos cativaram. Seu nome, até então, era Sexta-feira, alusão ao dia da semana em que foi resgatado. Por ironia do destino, ele foi achado muito debilitado, a uma obra junto ao Arroio Fundo, rio que corre às margens do meu trabalho. Não sei por quanto tempo vivemos assim, lado a lado, sem saber da existência um do outro. Os veterinários dizem que ele tem entre 4 e 5 anos.
Mas tínhamos alguns problemas. Sexta estava em tratamento e só poderia ser adotado depois de 30 dias. Não sabíamos qual seria a reação do macho-alfa lá de casa – e não estou falando nem do Vito, nem do Fred, tô falando do Bambam mesmo. Marcamos um encontro na pracinha no final da tarde, e aparentemente após aquele cheira-cheira habitual, um no rabo do outro, seus rabinhos abanando informaram que haviam se dado bem. Afinal, a primeira impressão é sempre aquela que fica.
Quando Sexta estava pronto pra ser nosso, outro empecilho. Sim, a obra já havia acabado, mas o caos e o pandemônio da arrumação lá de casa ainda não haviam desaparecido por completo. Como receber mais um, quando ainda nos adaptávamos aquela nova casa? Sem tudo ainda no lugar, ficaria difícil prover um novo lar para nosso amigo.
Ainda nos preocupava Bambam ficar sozinho, apesar da incontestável melhora após o convívio diário com Frederico. Passou a brincar de bola, a morder garrafas, coisas que eu nunca havia presenciado antes, nem quando Bobinho estava conosco, muito menos após sua partida.
Aí, quando a casa já estava pronta, veio a minha licença médica. Repouso absoluto em retiro de monge budista por 10 dias. E o nosso encontro foi uma vez mais adiado.
Quando saímos do elevador, naquela noite de domingo, ele foi logo nos receber na porta – simples carência ou um possível entendimento de que seríamos seus mais novos amigos pra vida inteira? Oferecido, já se deitou de barriga pra cima, se derretendo com os nossos carinhos, enquanto cuidávamos da parte burocrática – porém não menos importante – da coisa toda.
A partida foi tensa, o fazendo tremer e chorar dentro do carro, talvez pelo nervosismo do novo, medo do desconhecido, ou simplesmente saudade – saudade do costume, da casa, das ruas do Bairro Peixoto, saudade daqueles que cuidaram dele até então. O revezamento entre meu colo e do Fred, no banco de trás do carro, conseguiu trazer um pouco (mas só um pouquinho) de tranqüilidade para nosso amigo.
Chegamos em casa e Bambam veio nos encontrar. Um ligeiro estresse ao entrar no elevador – “quem é esse que quer entrar no meu elevador?” Bambam deve ter se questionado em pensamento, que se fez entender em forma de latidos imperativos. Reconhecimento da casa, comida nova, novos cheiros, novos amigos – opa, ainda não sei fazer xixi no postinho – mas a simples certeza de que ali não faltaria mais amor pra ele.
Conca dormiu na sua caminha, do meu lado da cabeceira. Bambam ainda está desconfiado, enciumado, lá do alto do seu puff, rosna se Conca chega perto na hora do seu carinho, rouba descaradamente os biscroks do outro, mas certamente logo, logo redescobrirá o prazer da companhia de um amigo.
Bem vindo, Conca, essa é a nossa família! Que cada dia que passa cresce mais um pouquinho...




quinta-feira, 30 de junho de 2011

Arquiteto pra quê?


Sempre achei que todo arquiteto é um pouco artista. Fato este somado à minha pluralidade geminiana e necessidade de exibição, talvez tenha sido o maior motivo na escolha da minha profissão: criação. Essa possibilidade de unir criatividade e produção como forma de vida nos eleva a uma categoria de quase semi-deuses. Traduzir o desejo mais íntimo de um ser vivente e transformá-lo em concreto (ambiente construído) – aliando técnica à estética - nos dá uma sensação de poder indescritível. Como crias, nossos projetos nos são únicos, lindos, indefectíveis. Pode perguntar pra qualquer arquiteto qual seu maior prazer dentro do seu ofício. Todos, em unanimidade, responderão: projetar. O arquiteto que não sente prazer projetando deveria ter seguido a engenharia.
Mas, como tudo na vida, existe o outro lado da moeda. Por projetarmos por inspiração e criatividade, muitas pessoas não levam a sério nosso ofício. Assim como a arte, por produzirmos movidos pelo instinto criativo, muitos pensam que nosso trabalho é fácil. Que é só pedir e pronto: lá está nosso projeto, materializado no papel. Quantas e quantas vezes já escutei: “Me dá uma idéia?”, como se projeto não tivesse que ser amadurecido, estudado, repensado. “Faz pra mim uma plantinha?” como se nosso ofício fosse sinônimo de jardinagem. Vamos explicar de uma vez por todas que pra que uma “plantinha” exista – e pra mim, “plantinha” é sinônimo de planta baixa em escala reduzida – são necessários vários fatores que devem ser considerados e que levamos, pelo menos, cinco anos de nossa vida acadêmica e outros tantos de vida prática e de experiência profissional para torná-la realidade.
Não. Definitivamente, não é só pegar o lápis e o papel manteiga e sair rabiscando qualquer coisa por aí, por simplesmente trabalharmos com emoção e inspiração.
Da mesma forma, quando temos um projeto finalizado, entendam: aquele projeto foi pensado – aquele fluxo, aquela implantação (que depende daquele terreno, daquela orientação solar, das posturas municipais para aquela área), aqueles materiais de revestimento, aquele tipo de cobertura (que dependem dos fatores climáticos daquela região), aquele partido arquitetônico, o tamanho daquele cômodo – TUDO foi estudado minuciosamente antes de se transformar – aos olhos de um leigo - numa simples “plantinha”.
Observação: Outra coisa irritante é a mania que as pessoas tem em dizer: “Mas, dá!”. Minha profissão me permite um olhar espacial diferenciado do seu e existem regras mínimas necessárias para circulação, portanto, se eu digo que neste espaço não dá para colocar todos os seus móveis, é porque não dá mesmo.
É claro, que cada arquiteto desenvolve o projeto a sua forma e pra isso existe a liberdade criativa – imagine só todos os compositores só compusessem um estilo musical? Seria impossível só escutar bossa nova, ou ainda imagine o caos se só se tocasse pagode – cada um terá sua maneira de desenvolver aquele “programa”.  O meu olhar sempre será diferente do olhar de outro profissional, e certamente, acharemos soluções diferentes para o mesmo problema.
Ah, outra observação: o trabalho do arquiteto é uma produção intelectual, única. Se você contrata um profissional da área, é porque você espera que seja desenvolvido um projeto exclusivo pra você. Não queira imitar aquilo que viu na casa do seu amigo, ou aquilo que saiu naquela revista. Se você quer copiar alguma coisa, você definitivamente não precisa de um arquiteto. Inspiração sim, cópia nunca!
E falando dos colegas de profissão, o fato de sermos todos “artistas” e termos visões diferenciadas não me permite criticar o projeto alheio só por criticar. Minha vivência (qualquer que tenha sido) não me permite eu faça prevalecer a minha idéia, só porque é minha. O bom profissional, a meu ver, é aquele que consegue atender a todas as necessidades do seu cliente e que consegue ouvir e aceitar as opiniões, filtrar, digerir as críticas. O trabalho em equipe neste caso é perfeito, pois às vezes estamos tão dentro do projeto que não conseguimos ver soluções para certas dificuldades. Já vivi situações de pura inércia criativa ao me deparar com um problema. Foi só solicitar ao colega pra me ajudar naquele layout e um intervalo pro café, que ele me mostrou a solução: limpa, perfeita, que esteve o tempo todo ali, estampada na minha cara.
Eu, Sandrinha, arquiteta, simples mortal, já tive a honra de trabalhar em parceria com grandes nomes da arquitetura nacional – fica aqui minha reverência ao Índio da Costa e Ciro Pirondi – e desenvolvi um enorme carinho e admiração por esses “monstros”. Ao contrário do que se possa imaginar, não existe nenhum estrelismo em suas personalidades, são profissionais super acessíveis, simples, diretos, dispostos a ouvir e a ensinar, mesmo nas situações mais delicadas (e olha que em se tratando dos projetos em pauta, já foram muitas situações delicadas, rs). Hoje, aprendo um pouquinho de interiores com a Ângela Frota, e tenho certeza que esta troca tem sido muito interessante, não só pra mim, mas para ela e toda a sua equipe (não posso deixar de registrar nossa última aventura em terras cuiabanas). E tenho certeza, que para o sucesso de todos estes trabalhos que desenvolvemos juntos, sempre existiu, acima de tudo, respeito pela minha formação profissional.
Então, é isso. Meu recado está dado. Falo na primeira pessoa, mas falo em nome de todos os colegas arquitetos e não da Sandra, indivíduo.
Vamos lá. Você cliente, você colega de profissão: respeite o arquiteto, respeite o meu ofício. Respeite minha forma de projetar. Respeite meus conhecimentos técnicos e até empíricos, porque não? Respeite minhas idéias inovadoras. Aceite a evolução da tecnologia, da maneira de construir. Não é porque há 40 anos se projeta desta forma que a partir de agora não se possa projetar de forma diferente. Vamos aceitar que cada um tem o seu conhecimento específico. Durante uma cirugia, eu tenho lá conhecimento e profundidade pra questionar os procedimentos do cirurgião? No meio de uma audiência, vou eu questionar ao juiz, ao advogado, ao promotor, a melhor maneira de advogar?
Vulgarmente falando: cada um no seu quadrado.
E o meu quadrado, só para informação, ou faço no AutoCAD.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Calcinhas forever


O blog andava às moscas, é fato. Muitas coisas na minha cabeça, sem tempo nem pra me dedicar aquilo que gosto de fazer: escrever. Ando numa fase meio nostálgica, com saudade de tempos que não voltam. Então, resolvi homenagear aquelas que sempre estão ao meu lado, nem que seja uma vez por ano. Meu carinho, disfarçado em forma de texto, para essas mulheres incríveis: as Calcinhas, que sempre estão presentes nas melhores das minhas memórias.

A que sempre chega por último ou a que ama coca-cola

Me lembro da primeira vez que a vi: estávamos no banheiro da faculdade. Ela tinha acabado de cortar os cabelos compridos e me espantei quando a vi com as madeixas mais curtas. Ela deu aquele sorriso tímido, pelo espelho, estreitando os olhinhos, bem típico dela. Para nos tornarmos amigas ainda demorou muito, foram ainda alguns anos – afinal nos éramos de “patotas” diferentes. Com o tempo, e muito depois de formadas, uma oportunidade de trabalho nos uniu em definitivo: trabalhamos muitos anos juntas. E esse convívio diário – entre cafés e confidências – só solidificou aquela amizade que tinha começado de maneira tão tímida. Vi todos os seus filhos nascerem. Levei um susto quando a mais velha começou a ler e escrever, mas hoje já não mais me espanto com a mocinha que transita pela casa, fã do Restart, navegando na internet. Ela foi a primeira a saber que Frederico tava chegando, foi a primeira a compartilhar e a vibrar com todas as minhas conquistas. Ela é sempre a primeira a saber - e a rir comigo - das minhas derrotas. Ela é aquela que corro pra abraçar na hora que to carente, quando preciso de colo.

A cobrinha
Ela é a amiga de infância da que sempre-chega-por-último. Aquela, de visual gótico, cabelo a la panteras, que só andava de preto e que dançava se requebrando como uma “cobrinha”, no micro vestido de plush. Essa só não ganhou o diploma de arquiteta. Pode procurar, que na lista de presença de todas as matérias, seu nome ainda deve estar lá, assinado.
Essa é feita de luz. Não existe ser mais zen no universo. Alternativa, descolada, inteligente. Merece todo meu carinho, meu respeito, meus aplausos.

A que tem o melhor abraço
Sabe quem também fazia parte dessa ala? Aquela “grandona” que tinha um fusca que levava todo mundo pras nights.  A que fazia enfermagem, trabalhava com cachorros e se achou na arquitetura. Assim como as outras, ainda custamos a nos tornar próximas. Foram muitas viagens – Búzios, Arraial, Cabo Frio, Iguaba, Blumenau - e muitos projetos juntas. Mas somente hoje, depois de muitos anos de convívio que descobrimos nossas verdadeiras essências. Ela me conhecia bem mais que eu imaginava, me supreendo. Não existe - no mundo - melhor abraço que o dela.

Pra nós quatro tudo mudou naquela Oktober de 94, com muitas canecas de chopp, encontros nas horas cheias, marrecos fazendo “qüem” e fotos nos banheiros dos restaurantes. Não nos demos conta, mas ali estávamos fundado “as Calcinhas”.

A Xiboca
A do fusca trouxe a irmã, que fazia administração na mesma faculdade, mas não se misturava com a gente. Mas essa mesma irmã - que toda vez que pode, se lembra de uma fatídica mousse verde que preparei pra um amigo oculto desses qualquer - tomou o maior porre que já vi alguém na vida tomar, lá no cantinho da Barra, com uma tal de “xiboquinha”. Me lembro dela toda lipoaspirada no meu casamento, sem poder nem levantar o braço. Não comparece aos eventos pq tá sempre em feira de óculos. Hoje aguarda ansiosamente a chegada de mais uma menina, pra engrossar nosso time.

A dos cachorros
A primeira ainda trouxe a prima, de riso escrachado, que tinha uma casa na Gávea e promoveu várias festas memoráveis. Ah, ela não fez faculdade, a gente sempre lembra, mas é a empresária mais bem sucedida do grupo. Até hoje espero o open laje de inaguração da sua casa, apesar dela já ter se mudado. Vê-la bebendo cerveja em copo de plástico com as luvas da Minnie numa festa a fantasia é uma das cenas mais surreais que já vi na vida.

A riponga
Tem aquela que parecia meio riponga. Maluquinha da cabeça, avoada, desligada. Aquela que fala pra caramba. Aquela que quase a gente não encontra, mas quando a gente encontra é riso só. Por causa de um professor-sabe-tudo de paisagismo, ela não pode se formar com a gente. No último encontro, teve foto dela comendo osso, pra gente não esquecer que essas coisas, só ela mesmo pra fazer... E a fantasia de medusa?

E daí, foram vindo outras...

A patricinha
A loura patricinha trabalhou comigo e com a que sempre-chega-por-último. Já vivemos coisas que até Deus duvida. Me lembro da gente comendo macarrão na casa do pai dela num jogo do Brasil, ou na sua chácara em São Paulo, ou nas inúmeras noites do terraço do Rio Sul. Me lembro da gente em Búzios, no carnaval mais deprê de toda a nossa existência. Me lembro de nossas risadas, me lembro de descobrir que ela estava grávida – pq nem ela mesmo sabia - de estar com ela no dia seguinte de uma situação inacreditável e terrível que ela viveu. Me lembro da gente nas Lojas Americanas, comprando kit mechas. Cafezinho do Viena na falecida Mesbla. 
Ela é o ser mais influenciável que conheci. Era só eu ligar perguntando que ela iria fazer dormindo numa noite de sexta que ela saía debaixo das cobertas e me pegava em casa no intervalo de exatos 15 minutos.

A do BBB
A amiga de trabalho da “cobrinha” chegou e ficou. As duas são como a corda e caçamba. Feijão com arroz. Pão com manteiga. Só vivem juntas. Choppinho? Tavam juntas, chegavam juntas, iam embora juntas... Festa de níver? Comemoração juntas. Aliás foram muitas as festas, inesquecíveis: à fantasia, brega, Halloween. Não, elas não são namoradas (risos).
Nosso calendário tá sempre vinculado ao BBB. Durante os três meses de programa - esquece - será impossível vê-la.
É a fã número um do Bobó de Camarão da minha mãe (e quem não é?)

A caçadora
A da “xiboquinha” também trouxe aquela amiga do trabalho, que de vez em quando tava de dieta e tomava suco de tomate nos barzinhos. Ela me disse “música boa se ouve em casa”, se referindo a dificuldade de achar gente interessante nas nights atuais. Nada mais engraçado e mais correto. Ela adora nossas trocas infindáveis de e-mail, com as discussões de quando, como, onde, que horas, porquê...
Me lembro de um encontro na casa dela e uma tal de melancia atômica espatifada no chão. E a ligação que a dos cachorros recebeu, enquanto ia nos encontrar: “Passa em algum lugar e compra uma melancia!”, como se malancia se vendesse em qualquer loja de conveniência aquela hora da madrugada...

A garota ninja ou a amiga da mulher maravilha
Essa eu trouxe no pacote. Minha hilária amiga, quase irmã. Me lembro das suas histórias divertidas e das diversas nights que bravamente enfrentamos juntas. Essa foi meu conforto nas horas de desespero, alegria dos meus finais de semana deprê. Já rodamos muito juntas: centros espíritas, tratamentos de estética, encontros às escuras, sempre de muito bom humor e sem descer do salto. Não me esqueço do dia que nasceu a ninja girl – ela, no píer da Barra, de tanto rir caiu na areia, e eu, mesmo sendo ninja, não tinha forças pra levantar aquele 1,80m de mulher que mal se agüentava em pé.  Bonequicha, músicas brega, tuuuuuuuuuuuuuuudo de bom, Paulinho e Alice, músicas do Roberto Carlos, passo muito mal, bebêin, Marcinho! Temos muitas coisas pra lembrar. E ainda vamos compartilhar muitas outras, tenho certeza.

Era pra ser sempre e de um tempo pra cá tem sido cada vez mais esporádico. Cada uma com sua vida, com seu corre-corre. Umas aqui, outras em outro estado, outras em outro país! Não importa. É sempre muito bom estar com minhas amigas, tomando choppinho, falando besteira, pagando mico no amigo oculto – que começou inocentemente com calcinhas de R$ 1,99 do Saara e evoluiu para as mais sexies lingeries e os mais divertidos acessórios de sex shop...Aliás, não dá pra esquecer das risadinhas contidas do segurança do Odorico, ouvindo as nossas estórias...

Temos um amigo – o vegetariano – que quer sempre saber o que se passa no papo calcinha.
Mas aqui, nesse grupo, cueca não entra.
Nem com homem dentro.


sábado, 12 de março de 2011

Ra - re - ri - ro - rua!


Já havia solicitado informações sobre o desenvolvimento da fala das crianças, quando, no ano passado, percebi que os gêmeos, João e Laura, amigos do Fred, haviam me dito que ele estava no banheiro com toda ênfase que a letra R poderia ter. Frederico, apesar de mais velho, ainda praticava a omissão de alguns fonemas, principalmente na conjunção de consoantes. “Ora, mãe, o R é o último fonema a ser desenvolvido, podendo ser facilmente substituído pelo L”. Tlocando em muídos, eu não deveria me preocupar ainda.
Desde então passei a observar a evolução da sua fala, mesmo que ao meu ver, em descompasso com seu crescimento instantâneo de menino. A primeira vitória foi quando, orgulhoso, nos contava sobre sua aventura nos gramados botafoguenses: no estádio do Engenhão, de mãos dadas com o Lúcio Flávio, ele e o primo haviam participado da abertura de um jogo. Daí para Flamengo, Fluzão, e outras tantas palavras com o L foi moleza. “Rato”, “carro” e “roda” saíam com aquela facilidade gutural de início de aprendizado, mas o nome da sua melhor amiga continuava a ser “Catalina”.
Pois nesses dias, resolvemos fazer uma brin-ca-dei-ra. Nos sentamos na sala e começamos, entre os desenhos da Nick e o dvd do Power Rangers, a solicitar que ele repetisse algumas palavras: ár-vo-re, ba-ra-ta, a-ra-nha, bom-bei-ro, enfatizando as silabas que nos interessavam. E ele, com uma pronúncia no início tímida, repetiu, corretamente, todas elas, pouco a pouco dominando os “ras” e “res” daquilo que ditávamos. A cada acerto, batíamos palmas e fazíamos festa, o que o fazia sorrir e gargalhar cada vez mais empolgado com seu próprio desempenho. A atividade começava a se tornar mais engraçada, conforme as palavras iam se tornando mais difíceis: pe-re-re-ca, mamãe San-dra, tar-ta-ru-ga, e nos divertíamos e incentivávamos o seu esforço – inclusive com as caretas necessárias – para que a pronúncia fosse correta.
Nesta empolgação crescente, pede a vez e faz sua sugestão, pra saber se nós também saberíamos repetir a palavra que ele nos ditaria. Fez aquela cara gostosa de esperteza, o olhar de quem iria pronunciar a palavra mais difícil do mundo, e nos brinda:  
- Te-li-vi-são-Ô!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Don´t cry for me, Argentina


Hola, que tal? Era a frase automática que tínhamos a dizer. Os meus três anos e meio de estudo da língua espanhola estavam há anos adormecidos, mas a semelhança com o português nos trazia um pouco mais de "intimidade" com o idioma. A dificuldade começou com o chofer que nos esperava no aeroporto. Mas os ouvidos aos poucos foram se acostumando com os diferentes sotaques falados na capital Argentina, e em pouquíssimo tempo já dominávamos o linguajar portenho.
Com o favorecimento do câmbio, Buenos Aires passou a ser um pólo de consumo. Tudo é mais barato por lá, portanto, o que mais nos foi indicado pelos amigos que já conheciam a cidade, era como chegar aos outlets. Mas nosso objetivo era outro. Dois arquitetos perdidos em BsAs, só poderia resultar em muitas andanças, avidez pelo conhecimento histórico, contemplação. É incrível como nossos olhares eram direcionados a monumentalidade das edificações, a resolução do sistema viário e urbano, a elegante e pacífica convivência entre o antigo e o novo, o requinte e o moderno. Buenos Aires é linda. Sim, com todas as mazelas de qualquer outra grande cidade, mas acolhedora, misteriosa e encantadora. Ou seria este encanto movido pelo meu estado de espírito apaixonado?
Meu encantamento começou por Puerto Madeiro, onde ficamos hospedados. Bairro novo, com apenas 20 anos, erguido no antigo cais do porto, à margem do Rio da Plata. Os antigos diques, grandes depósitos de baixo gabarito, construídos em tijolinhos aparentes (que vieram nos barcos ingleses como contrapeso, segundo informações de um taxista), hoje abrigam hotéis, faculdades, empresas e inúmeros restaurantes. O charme de Puerto Madero são os guindastes em toda a extensão do rio, como testemunho histórico da época em que ali ainda funcionava o porto. Uma urbanização impecável com mobiliário e iluminação urbana de eficiência., grandes praças arborizadas e lindo paisagismo. Bairro nobre, com grande policiamento, tranqüilo, acolhedor. Uma delícia passear por ali à noitinha, sentar numa daquelas praças do parque e contemplar a beleza da lua.
Grande parte da sua extensão é proveniente de aterro, onde novas construções de até US$ 6.000/m² foram erguidas. Grandes espigões espelhados somente evidenciavam o que sempre me disseram sobre Buenos Aires: que era uma cidade monumental. Pudemos perceber isso na largura das vias, na beleza e imponência de seus chafarizes, bustos e estátuas, nos detalhes preciosos de uma arquitetura renascentista. Construções ecléticas, pitorescas, um mix de estilos que empregam um charme todo especial a parte histórica da cidade. E desta forma, era quase que inevitável a comparação com o Rio de Janeiro: a calle Florida, às cinco da tarde, poderia ser facilmente confundida com a Uruguaina e seus camelôs espalhados pelas calçada; a Nueve de Julio era uma Presidente Vargas duplicada; Caminito seria uma mistura de Lapa com Santa Teresa, cheia de cores, cheia de gente, cheia de música, cheia de vida.
Desde minha época de estudante eu já ouvia falar da revitalização do Cais do Porto do Rio de Janeiro. Inúmeros foram os projetos que já foram feitos, propostos, engavetados. E vendo Puerto Madero tive vontade de ter essa beleza na minha cidade. Quis, num quase utópico desejo, que nossos armazéns também tivessem vida, tivessem estilo, tivessem beleza. Quis um calçadão e vias urbanizadas. Quis charme e requinte, quis movimento, quis pessoas, quis dignidade, quis respeito para o nosso cais, para a nossa cidade.
Muitas foram nossas aventuras na capital portenha.
Já voltei com vontade dos alfajores, de doce de leite, dos sorvetes do Freddo, da vista magnífica da nossa janela, de curtir a rivalidade gostosa entre Boca e River, da festa de família em Palermo, dos taxistas loucos no trânsito, das manifestações nas ruas cortadas.
Gracias, Buenos Aires.
Voltamos brasileirissímos, mas com a alma um pouquinho mais branca e mais celeste.

Pétala


Por ser exato 
O amor não cabe em si
Por ser encantado
O amor revela-se
 Por ser amor 
Invade
E fim!...
(Pétala - Djavan)

Não podemos explicar o que não se pode entender. Então, é melhor sentir. Fechar os olhos e entregar-se. Da forma mais intensa e verdadeira possível.
Porque o amor é assim: devastador. Nos arrebata e quando menos percebemos nos tornamos escravos.
Assim é o amor: não se explica, não se entende, não se mensura, apenas se sente.
Bem aqui dentro.
Bem dentro.

Desse jeito.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Maluca sim, e daí?


Sábado passado foi a festa de final de ano da creche do Frederico. Já sabíamos, através do nosso grupo secreto de investigação materna, que a música a ser apresentada era a “O barquinho”, da Maysa. Frederico, inclusive, já havia me deixado chocada – e orgulhosa, obviamente – ao cantarolar bossa nova dentro do carro, dia desses, voltando pra casa. Já havíamos gargalhado muito – nós, as mães do Pré I – após todas aquelas discussões sobre os custos da creche e pagamentos extras, com o recebimento da circular sobre a confecção da “cabeça-barco-de-espuma”, e todas as elucubrações decorrentes do fato, que culminaram no Grêmio Recreativo Bloco de Rua “Loka é a mãe, eu sou Napoleão”, promessa de folia certa no carnaval 2011.
Lá fomos nós, estrear nossas tão faladas camisetas, num misto de ansiedade e excitação pela sonhada apresentação dos nossos filhotes. Maravilhadas pelas apresentações que antecederam, vendo pequenos tão mais pequenos que os nossos – como eles todos um dia foram – nos encantando, nos fazendo rir, e para aquelas mais emotivas, nos fazendo também chorar.
Além de bobas, nos descobrimos cantoras, entoando, num uníssono desafinado, aquela velha canção da Arca de Noé da nossa infância, quando o som da festa resolvia dar pane. Como foi bom ver aqueles pirralhos representando num palco, enquanto a gente embalava em coro um “venham ver como dão mel as abelhas do céu”...
Cadê a Cris que ainda não chegou? Liga pra ela, avisa que a apresentação já tá começando... Putz, não acredito que a Cíntia esqueceu de levar a camiseta... Lisandra e a sua incrível matemática dos gêmeos, conseguiu me deixar confusa...
Nervosas, estávamos todas em conjunto, pelas nossas Anas. Ana Cristina sobe pra ler poema de crianças, Ana Bochecha e seu silicone importado nos cabelos, pra declamar sobre sonhos e barquinhos de papel. A outra Ana, aquela nos recebe todos os dias, foge dali pra trocar o uniforme da creche, e exibe sorridente a sua camiseta, aderindo também a toda aquela louca manifestação de orgulho.
Mãe com M maiúsculo fala no microfone, paga mico, sobe no palco, explana seu amor de forma desavergonhada. Mãe com orgulho fica ali na beirinha, babando as crias, enquanto os pequenos se exibem e – finalmente – se apresentam. Coreografia, sambinha, chapéu de barco, bossa nova. Muita coisa pra se dizer e se sentir numa apresentação apenas.
Indescritível perceber aquele sorriso tímido do meu Frederico, assim que me descobre naquela platéia repleta de mães ensandecidas.
Ainda me emociono com o poema da minha amiga Ma, e minha linda Cacá desfilando no calçadão como a Garota de Ipanema. Acho que tava meio impossível daquele sorriso bobo sair do meu rosto naquele dia.
E quando a gente acha que acabou, vem a canção de Natal. Como disse Bochecha, ver a galerinha cantando Xuxa foi apelação. A escola toda no palco, fazendo coral, não tem rímel à prova d’ água que dê jeito. Chorei. Chorei muito. Mesmo com a Fer me cutucando do lado, dizendo que era pra eu não perder a pose. Nunca escondi de ninguém que sou mulherzinha mesmo.
No final da festa, todas com os barcos na cabeça, momento de terapia em grupo. Análise sobre o que foi mais mico na vida de cada uma delas: andar de perna de pau, dirigir kombi ou ir no programa da Xuxa? E o assunto, regado a pipoca, mini-pizzas, sorvetes e refris, passou de traumas de infância e palhaços, pra combinação de passeios, discussão sobre educação e novas escolas, e a importância de se dar continuidade aquela amizade tão legal que surgia entre os pequenos.
Percebi, anestesiada, que estar ali, com as mães e os pais dos amigos do meu filho,  naquele "dia de luz", naquela "festa de sol", me fazia um bem danado. E que naquele momento, além daquela apresentação magnífica, eles – nossos filhos – também nos presenteavam uns aos outros. Gostosa aquela sensação de estar entre iguais, no meio daquele pandemônio todo, rindo, trocando experiências, enquanto observávamos nossos filhos correndo, suados, exaustos, pelo pátio da escola.
Que amanhã, quando “seremos” Pré II (parafraseando Frederico) , estejamos compartilhando mais aventuras, mais afetos, mais camisetas, mais barcos de espuma, mais maluquices.
Afinal, como disse a Vane no microfone e como a estampa da nossa camiseta, somos todas mães malucas, sem nenhuma modéstia.
Malucas completamente, acrescento. Malucas pelos nossos filhos.

Para todas as mães malucas do Pré I