terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Maluca sim, e daí?


Sábado passado foi a festa de final de ano da creche do Frederico. Já sabíamos, através do nosso grupo secreto de investigação materna, que a música a ser apresentada era a “O barquinho”, da Maysa. Frederico, inclusive, já havia me deixado chocada – e orgulhosa, obviamente – ao cantarolar bossa nova dentro do carro, dia desses, voltando pra casa. Já havíamos gargalhado muito – nós, as mães do Pré I – após todas aquelas discussões sobre os custos da creche e pagamentos extras, com o recebimento da circular sobre a confecção da “cabeça-barco-de-espuma”, e todas as elucubrações decorrentes do fato, que culminaram no Grêmio Recreativo Bloco de Rua “Loka é a mãe, eu sou Napoleão”, promessa de folia certa no carnaval 2011.
Lá fomos nós, estrear nossas tão faladas camisetas, num misto de ansiedade e excitação pela sonhada apresentação dos nossos filhotes. Maravilhadas pelas apresentações que antecederam, vendo pequenos tão mais pequenos que os nossos – como eles todos um dia foram – nos encantando, nos fazendo rir, e para aquelas mais emotivas, nos fazendo também chorar.
Além de bobas, nos descobrimos cantoras, entoando, num uníssono desafinado, aquela velha canção da Arca de Noé da nossa infância, quando o som da festa resolvia dar pane. Como foi bom ver aqueles pirralhos representando num palco, enquanto a gente embalava em coro um “venham ver como dão mel as abelhas do céu”...
Cadê a Cris que ainda não chegou? Liga pra ela, avisa que a apresentação já tá começando... Putz, não acredito que a Cíntia esqueceu de levar a camiseta... Lisandra e a sua incrível matemática dos gêmeos, conseguiu me deixar confusa...
Nervosas, estávamos todas em conjunto, pelas nossas Anas. Ana Cristina sobe pra ler poema de crianças, Ana Bochecha e seu silicone importado nos cabelos, pra declamar sobre sonhos e barquinhos de papel. A outra Ana, aquela nos recebe todos os dias, foge dali pra trocar o uniforme da creche, e exibe sorridente a sua camiseta, aderindo também a toda aquela louca manifestação de orgulho.
Mãe com M maiúsculo fala no microfone, paga mico, sobe no palco, explana seu amor de forma desavergonhada. Mãe com orgulho fica ali na beirinha, babando as crias, enquanto os pequenos se exibem e – finalmente – se apresentam. Coreografia, sambinha, chapéu de barco, bossa nova. Muita coisa pra se dizer e se sentir numa apresentação apenas.
Indescritível perceber aquele sorriso tímido do meu Frederico, assim que me descobre naquela platéia repleta de mães ensandecidas.
Ainda me emociono com o poema da minha amiga Ma, e minha linda Cacá desfilando no calçadão como a Garota de Ipanema. Acho que tava meio impossível daquele sorriso bobo sair do meu rosto naquele dia.
E quando a gente acha que acabou, vem a canção de Natal. Como disse Bochecha, ver a galerinha cantando Xuxa foi apelação. A escola toda no palco, fazendo coral, não tem rímel à prova d’ água que dê jeito. Chorei. Chorei muito. Mesmo com a Fer me cutucando do lado, dizendo que era pra eu não perder a pose. Nunca escondi de ninguém que sou mulherzinha mesmo.
No final da festa, todas com os barcos na cabeça, momento de terapia em grupo. Análise sobre o que foi mais mico na vida de cada uma delas: andar de perna de pau, dirigir kombi ou ir no programa da Xuxa? E o assunto, regado a pipoca, mini-pizzas, sorvetes e refris, passou de traumas de infância e palhaços, pra combinação de passeios, discussão sobre educação e novas escolas, e a importância de se dar continuidade aquela amizade tão legal que surgia entre os pequenos.
Percebi, anestesiada, que estar ali, com as mães e os pais dos amigos do meu filho,  naquele "dia de luz", naquela "festa de sol", me fazia um bem danado. E que naquele momento, além daquela apresentação magnífica, eles – nossos filhos – também nos presenteavam uns aos outros. Gostosa aquela sensação de estar entre iguais, no meio daquele pandemônio todo, rindo, trocando experiências, enquanto observávamos nossos filhos correndo, suados, exaustos, pelo pátio da escola.
Que amanhã, quando “seremos” Pré II (parafraseando Frederico) , estejamos compartilhando mais aventuras, mais afetos, mais camisetas, mais barcos de espuma, mais maluquices.
Afinal, como disse a Vane no microfone e como a estampa da nossa camiseta, somos todas mães malucas, sem nenhuma modéstia.
Malucas completamente, acrescento. Malucas pelos nossos filhos.

Para todas as mães malucas do Pré I

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Do Rio para o mundo!


Conforme sugestão da minha amiga Carolzita, seguem alguns dados interessantes a respeito do meu blog. Como sou meio lesada, não sabia que os blogueiros tinham acesso a esse tipo de informação, mas fuxicando no meu painel de controle achei todos os dados estatísticos do 'sandrices e etc'. Muuuuuuuuuuito interessante!...

Nesta semana, “Carta para Amanda” continua liderando o ranking de acessos, com 17 visualizações – ô, povo internauta que gosta de uma baixaria...
Esse texto trash (com um total de 101 visualizações até agora) está quase barrando o post mais acessado do meu blog “Eu e o tubo” – um dos meus favoritos – que lidera as estatísticas com a marca impressionante de 107 visualizações em toda a sua existência.
No total, desde a sua criação em agosto de 2010, o blog conta com 24 fiéis seguidores e mais de 1.600 acessos. Pra alguém que só queria publicar alguns textos, sem nenhuma outra pretensão, até que tá bom, né? Os sites de referência às minhas 'sandrices' são, principalmente, meu perfil do Orkut, meu perfil no Facebook e – pasmem! – pela busca do Google.
Curiosamente, o blog é também encontrado através de busca pela imagem dos três mosqueteiros – post em homenagem aos meus melhores amigos de faculdade. Alguém algum dia digitou na busca do google algo como “imagens de box embaçado no banho das crianças” e chegou até o divertido “Hora do Banho”, em que Frederico declara abertamente seu amor por um super-herói em detrimento a todo meu amor materno. Alguns só procuram por 'sandrinha maia' e voilá, estão no meu blog.
Agora, o mais fantástico: tenho leitores em quase todo o globo – meus textos já foram apreciados (ou não) por leitores worlwide: EUA, Austrália (aê, Chris!), Portugal, Suíça, Rússia, Holanda, Espanha e até na Noruega (valeu, Tide! rs).
Lá também se pode saber sabe se o navegador utilizado foi o Internet Explorer, ou o Mozzilla, e vcs podem imaginar mais o que essas santas estatísticas podem dizer....Inclusive enquanto vc está lendo meu blog AGORA, as estatísticas me dizem – in real time.
Não é incrível?
Então, entra, puxa uma cadeira, senta e fica à vontade.
Aqui vc tá em casa.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Terapia Ortodôntica (Amores possíveis)

Este post nasceu no exato momento que minha dentista me disse: “Não existe verdade absoluta, a verdade é sempre relativa. Você pode defender a sua opinião, mas não pode impor a sua opinião como verdade.” Just perfect!

Hoje foi dia de ortodontia. Minha dentista, gente boníssima, mineira daquelas que sempre te recebem com um sorriso no rosto, estava com um semblante mais sério e rugas na testa – envolvida nos problemas amorosos dos filhos. “Filhos criados, problemas dobrados”, ela me disse. “Ainda mais filho homem”, completou, me fazendo refletir quais problemas Frederico poderia me trazer no futuro, rsrsrs. E durante alguns minutos de filosofia, entre equipos e aberturas de aparelhos, ela me presenteou com sua sabedoria e tagarelou muitas coisas que se encaixam e fazem todo sentido para o momento que ando vivendo. E o consultório, num passe de mágica, transformou-se num acolhedor ambiente para terapia. E as histórias – dos seus filhos e de tantas outras pessoas que conhecemos – foram vindo e me fizeram recordar muitas outras tantas estórias incríveis de amor que conheço.

Entre as que vos relato, está a que ela me presenteou nesta manhã. As outras, também verídicas, são de pessoas próximas. Todas elas são tão inacreditavelmente belas que ainda hoje me questiono porque será que este grande piadista – o autor deste estranho livro da vida – faz seus personagens percorrerem as maiores distâncias para enfim alcançarem a tão sonhada felicidade...



Ela abriu a porta e saiu de casa com a roupa do corpo, pra nunca mais voltar. Um passo enorme para os seus trinta e poucos anos de menina, mas ela não podia conviver mais com aquela infelicidade, com a vontade não correspondida de ser mãe, com o egoísmo e a visão individualista do outro. Foi o mais doloroso e difícil passo em direção a sua felicidade, mesmo ela ainda não sabendo. E foi naquele mesmo ano que ele, cansado de procurar o amor e não achar, cansado da frustração de não amar, decidiu visitar a cidadezinha no interior do Mato Grosso onde havia passado a infância, enquanto ela iria passar o carnaval na Chapada. E o destino – aquele piadista da introdução deste post - os coloca lado a lado no avião, e a faz sentar por engano no lugar dele. Somente aquele trecho de um curto bate-papo, e uma despedida sem muita informação durante a conexão, e veio a vontade de ficar mais, de saber mais, de estar mais, perdida naqueles olhos verdes. Acabava ali aquele devaneio - seria humanamente impossível se encontrarem novamente. Mas, como a tecnologia age (quase sempre) em favor da humanidade, a amiga que a acompanhava naquela que seria quiçá a viagem mais importante da sua vida, o encontra na comunidade do Orkut que levava o nome daquela cidadezinha do interior do Mato Grosso... E após as investidas e a inquietude dessa amiga, pós-graduada naquele cursinho de cupido por correspondência, eles finalmente se encontram... e se apaixonam...
Pode-se perceber a força daquele amor novo tão sereno, embalado pela canção daquela estória inimaginável, enquanto os dois deslizam pra fora da capela onde foi celebrado o casamento. E ainda, depois de algum tempo, aquela felicidade conquistada – que começou de forma tão dolorosa com aquele primeiro passo – continua estampada no seu rosto de menina, enquanto embala um gordo bebezinho com nome de anjo que distribui sorrisos pra todos que passam...
 
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Eles eram iguais. Se não iguais, bem parecidos. Custaram a perceber isso. Viveram muitos anos lado a lado, compartilhando apenas aquela afinidade invisível e incomum que une os iguais. Cada um com seus projetos de vida, suas concretizações e seus amores. Não havia nada além daquela invisível sintonia, quando de repente, como um fio desencapado que desencadeia um curto-circuito, se perceberam. Foi apenas um toque e um olhar – olhar verdadeiro, daqueles de fundo de olho – pra entender o quanto sempre se pertenceram. E a presença de um na vida do outro foi algo tão incrível, tão perfeito, tão forte e tão intenso, que mesmo durante aquele curto tempo, aquele amor foi capaz de destruir tudo o que existia em volta: convicções, casamentos, noivados, estruturas, amizades, projetos... Por isso mesmo o amor deles não era possível. Não podia ser. Ela, se não foi por covardia, foi por coragem, fugiu... e foi viver sua vida, onde foi feliz, se casou, teve filhos... ele também se reconstruiu e seguiu adiante. Cada um deu seu jeito de anular o que havia acontecido, até que toda aquela fúria fosse esquecida em suas lembranças. Ela, na urgência de esquecê-lo, havia recorrido ao ódio. Ele havia apenas a deixado cair no esquecimento...
Foram necessários dez anos de ausência pra que um dia nosso autor resolvesse que já era o bastante - aquela estória que havia sido tão verdadeira e mal escrita deveria ter um final mais decente. Não era possível que um amor com aquela intensidade tivesse seu triste fim fadado ao fundo de uma gaveta.
A princípio, não havia esperança nem intenção de se encontrarem novamente. O que se buscava era apenas aquele link perdido. Mas estavam ali, lado a lado como nos velhos tempos. A alegria de estarem juntos novamente, sem rancores, sem dores, sem traumas, trouxe de volta aquela magia que existia no começo – em que eram somente iguais, e compartilhavam aquela afinidade invisível e incomum que une os iguais. E depois daquilo surgiu uma ânsia – ânsia de saber do outro, ânsia de viver em segundos tudo o que não viveram em dez anos, ânsia pra saber dos dez anos de vida do outro que perderam, naqueles poucos momentos juntos.
Mas agora eram somente os dois. Ele se queixava da solidão dos últimos anos. Ela se perguntava do porquê da sua vida não ter dado certo, mesmo com todo o afinco por ela investido.  
E lá estavam sós. Somente os dois e a lua, como testemunha.
E novamente, foi necessário somente um toque e um olhar - olhar verdadeiro, daqueles de fundo de olho – pra entender e aceitar – finalmente – o quanto sempre se pertenceram.
 
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Ele dizia, desde a adolescência, que não se casaria com nenhuma outra, a não ser ela. A família dela - tradicional, riquíssima - ao contrário, achava que ele nunca serviria. Namoraram aquele amor infantil e adolescente. Amavam-se, de forma imatura, ciumenta, egoísta, mas se amavam, era fato. Era um amor de amadurecimento, daqueles que deveriam durar uma vida. Ele chegou a largar os estudos no exterior por ela. Ela fazia tudo por ele. Ao se formar, ele queria ir pra São Paulo. Ela achava que ele deveria ficar por ali. Ele dizia que ali não havia campo pra sua profissão. E em meio a tanta incompreensão e desavenças, mesmo sabendo que o amor dos dois era incontestável, se separaram. Resolveram, após tanto tempo, cada um seguir com sua vida.
Nesse ínterim, ele conheceu a outra. Que o amava também – amava tanto que esquecia de si mesma. Amava tanto que vivia somente pra ele, pra cuidar dele, pra ser dele. Mas ele, apesar de aceitar aquele amor incondicional da outra, só pensava nela. Foi pouco tempo com a outra, porque seu coração, no fundo, no fundo, só batia por ela. Decidiu que tentaria mais uma vez.
Estava tudo combinado. A outra iria embora – sempre soubera não ser dona do seu coração – mas pediu uma noite de despedida. No dia seguinte, ela voltava pra ele, decidida a romper com a família se fosse preciso, pronta pra fazer de tudo pra conquistar de vez a sua felicidade. Aí, o destino, autor desta estória, teve uma grande idéia: durante aquela mesma semana, entre despedidas e chegadas, a outra ficou grávida. 

Ela também.
A família dela - tradicional, riquíssima - achou aquilo tudo um absurdo. Agora ele serviria para ela? Porque ela estava grávida? Não, eles poderiam bancar a filha e o neto. Ele continuava não servindo.
E a outra? Tão frágil, tão dependente, tão só... Tão desprendida, sempre tão disposta a fazer tudo por ele. E assim ele ficou... Cinco anos com a outra. Na tentativa de aprender a amá-la. Na tentativa de retribuir aquele amor incondicional que ela a devotava. Mas o amor verdadeiro, daquele que fazia seu coração bater mais forte, ele sentia mesmo por ela.
Quando se deparou com a morte do pai ele se questionou sobre a solidão. Sobre o curto tempo da vida, sobre realização, sobre felicidade. E decidiu, mais uma e pela última vez, lutar por ela. Se separou da outra. Voltou, de uma vez por todas pros braços dela.
Hoje se casam. Na igreja, de véu e grinalda. Mais por vontade da família dela
- tradicional, riquíssima - que pela vontade deles. Mas se assim for necessário, será feito. Porque o amor dos dois – tantas vezes recortado, tantas vezes prometido – finalmente, poderá ser vivido plenamente.
E ele mesmo sempre havia dito, desde a adolescência, que não se casaria com nenhuma outra.
A não ser ela.  



segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Profile


Esse texto é de 2008... escrevi, na época, pra postar como perfil no meu Orkut... Auto-definição é meio difícil, ainda mais no meu caso, geminiana de nome composto...
Bem, tô tentando resgatar meus textos antigos para postar aqui no blog. 
Meu amigo Beto costuma me dizer que sou de extremos, talvez seja verdade, rsrsrs

Eu sou assim, deste jeito...
Pra mim, não existe meio termo, ou é ou não é.
Vivo nos extremos, não sou perfeita
Ou eu amo ou eu odeio,
Ou eu quero ou eu não quero mesmo,
sem essa de “mais ou menos”, sem essa de “pode ser”
A vida é muito curta pra se viver em cima do muro...

E se eu errar, que me desculpem
Mas eu vou assumir e recomeçar
Nada de historinhas, nem teatros
Vou levantar quantas vezes for preciso
Porque sou assim: intensa, verdadeira...

E se você me quiser, pra qualquer coisa
Queira plenamente
Porque não nasci para ser metade
Eu não nasci para estar à margem
Eu sou completa, presente, inteira...

Na minha vida não existe espaço pra incerteza
Se as coisas acontecerem, beleza
Se não, eu faço acontecer

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Carta para Amanda


Momentinho trash

Primeiramente, gostaria de me desculpar aos meus leitores pelo texto meio trash-baixaria. Num momento de transgressão (e também um pouquinho de falta do que fazer), resolvi escrever este texto para uma certa pessoa – vamos chamá-la de Amanda (personagem fictício, ok? Claro, né, ninguém  acredita que existe uma pessoa tão insana assim, não é mesmo?) que numa situação hipotética  resolveu postar comentários diários nada amistosos no meu blog. Amanda me acusa de ser covarde por não publicá-los. Eu acho que covardia é usar nome fictício pra se fazer de vítima, coisa típica da personalidade de uma eterna “coitada” como Amanda...rsrsrs.
O nome deste post bem que poderia ser Amandices e etc...
Bem, de qualquer forma, depois que terminei o texto, achei divertido. Um pouco cruel – eu nunca fui boazinha mesmo – mas divertido. Definitivamente, nunca poderia ser terapeuta, pois não tenho paciência pra algumas palhaçadas...
Compartilho com vcs.

Querida Amanda,
Quantos anos mesmo você tem, hein? Ah, sim, me lembrei... Tá chegando aos 50, né? Então, Amanda, você já não é mais nenhuma garotinha... o que me faz crer que suas atitudes recentes não tenham sido movidas por conta de uma imaturidade cronológica – coisa que a gente até perdoa... Diante dos fatos, só posso concluir que se existe alguma imaturidade (ou instabilidade) por aqui, é puramente emocional.
Mas por que, Amanda? Dificuldade de lidar com as perdas? Dificuldade de lidar com a vida? Necessidade de atenção, afeto? Carência extrema? Sentimento de perda (que é bem diferente  da dor da perda, específicamente)? Ou simplesmente maluquice?
Ora, querida! Ninguém nunca te falou que o mundo não gira ao seu redor, Amandinha? Inclusive, até bem pouco tempo atrás eu nem me lembrava da sua existência... Escuta o que vou dizer: minhas atitudes e minhas escolhas não têm absolutamente NADA haver com você, aceite isso, por mais duro que isso possa parecer à sua alma egocêntrica...
Ah, sim, você pode ter se acostumado mal, pois sempre manipulou as pessoas, fazendo com que elas fizessem EXATAMENTE aquilo que você desejava... é, Amanda... te acostumaram a viver no mundo de Alice... o mundo real é um pouquinho diferente...
O que mais me impressiona é como alguém que sempre se portou como uma pessoa tão madura, tão inteligente, tão competente, tão profissional – como você, Amanda, no alto do seu pedestal – pode ter transformado a sua rotina numa obsessão ridícula em importunar a vida dos outros. É a sua “infelicidade” que realmente importa? Ou o seu incômodo é ver a felicidade alheia? É a simples constatação do seu fracasso? Ou será que o seu desespero é por não ter mais a quem manipular? Ah, meu Deus, e agora?!?
Sua justificativa, Amanda, de que tudo o que você faz é por amor – pera aí, amor a quem? amor ao seu umbigo?  – felizmente, não cola mais. Suas atitudes insanas, tampouco. Dá uma olhadinha no espelho e veja no que você se tornou – alguém que resume sua própria vida em tentar  – sem sucesso, querida, mil perdões – fazer da vida dos outros um inferno. Coitadinha de você, Amanda! Aliás, coitadinha é um adjetivo que lhe cai muito bem!...
Antes de você julgar minha vida ou a vida de quem me cerca e de quem amo, olhe pra si mesma. Vivemos a conseqüência das nossas escolhas. A gente se arrepende de algumas, mas na maioria das vezes se aprende com elas (inclusive com as não tão bem sucedidas). E pelo que sei – pois também acompanho esta estória bem de pertinho  – você não tem aprendido nada ultimamente, hein? Amanda! Você sempre teve a faca e o queijo na mão! E ainda assim conseguiu deixar a felicidade escorrer pelos dedos, garota, você estragou tudo! Que merda, hein? Quanta incompetência...
Qual o mérito que você acredita ter pra me comentar, me julgar, avaliar se melhorei ou piorei? A maternidade, por exemplo, melhora as pessoas... mas, não vou entrar nessa questão em respeito as suas pseudo-convicções, ok?
Amanda, querida, você pode continuar postando os seus comentários insanos (que mais me parecem uma tremenda dor de cotovelo) que eles continuarão sendo devidamente ignorados... se isso vai servir pra trabalhar esse seu coraçãozinho, tudo bem... Não se preocupe com as pessoas que me cercam, pois elas me conhecem, sempre fui verdadeira. Já você... talvez não te conheçam direito... mas eu consigo perceber longe a sua chantagem emocional – pode deixar que eu saberei “orientar” as pessoas a não caírem mais nas suas artimanhas...
Sem mais “delongas”, seus últimos comentários – sinceramente, como é do seu desejo – me fizeram refletir, sim. Obrigada. E a conclusão que cheguei é que o único sentimento que tenho por você é... indiferença?...
E quanto a sua preocupação extrema com a minha felicidade, um esclarecimento: eu sempre fui feliz, hoje continuo sendo e isso independe de você! Ficou chocada?Desculpa, tá? Não fique triste.
Um beijo, querida.
Durma bem.

PS: Quem “escreve” o que quer, “lê” o que não quer (mas um cursinho de português caía bem, hein? Só pra te ajudar a expressar as idéias de forma mais clara).
Ah, e nunca subestime a inteligência das pessoas. Elas não são idiotas como você sempre  achou que fossem. #fikadika

domingo, 24 de outubro de 2010

Os três mosqueteiros

E estávamos ali, os quatro novamente.
A minha esquerda, meu imperador de cabelos prateados. A ele, reservarei poucas palavras. Pra falar sobre sua vida e a minha, seria necessário um post inteiro. Ele foi o último a chegar no grupo. Posso falar sobre ele depois.
Na minha frente estava ele. O conheci na fila da matrícula da faculdade. Eu havia ficado em terceiro lugar no vestibular – ele, em segundo. O seu sorriso doce de adolescente ainda estava ali nos seus lábios, como no primeiro dia em que o vi. Ele tá usando barba, agora. Antigamente, ele raramente usava barba, seu emprego não permitia. Só o via de barba nas loucas semanas de entrega de projeto, em que nem banho direito a gente tomava. Nos encontrávamos as dez da noite na porta da faculdade com aquele aspecto “zumbi” de semanas em cima da prancheta. Ele usa os cabelos agora penteados com gel, escondendo uma leve calvície que ele teima em negar. Os anos poderiam se passar na velocidade da luz que ele permaneceria com o mesmo aspecto jovial de sempre. Agora, sempre espremido entre indas e vindas e compromissos profissionais, ele era um dos maiores exemplos que qualquer pessoa poderia ter: na vida, na carreira - teve a ousadia de quebrar padrões e enfrentar gigantes, sempre com seu sorriso doce de adolescente. Hoje, olhando pra ele sentado a minha frente, me pergunto, quando foi que eu passei a não desvendar mais a sua mente. Quando foi que perdi aquele link que tínhamos. Quando foi que aquela foto que tem no seu escritório, ao lado do seu computador, foi ficando amarelada – aquela, daquele réveillon de mil novecentos e tantos, onde eu, ele e mais o outro estamos largados nas areias de Copacabana, como em tantos outros réveillons de nossas vidas, com a aquela rosa branca nas mãos. Certamente, a minha vaidade e egoísmo de juventude haviam contribuído muito pra que seus pensamentos e sentimentos fossem se transformando em névoa e mistério pra mim. É como dizem: ninguém é tão igual a você em sentimentos mais íntimos pra entender seus pensamentos em plenitude. Eu só gostaria que ele soubesse – e tenho certeza que, no fundo, ele sabe – o quanto senti e sinto falta daquela cumplicidade que um dia compartilhamos.
A minha direita estava o outro. Esse eu conheci no vestibular. Na prova de habilidade específica, entre papéis e lápis de cores, pra ser mais precisa. Com seu jeito marrento, já começou me esnobando, e daquele momento em diante, não pude mais viver sem ele. Ele foi meu namoradinho de faculdade, meu parceiro de projeto, meu amigo, meu vizinho, meu confidente, meu padrinho de casamento. Compartilhávamos pranchetas e projetos de vida, noites em claro ao som de ”Fantasy” da  Mariah Carey, inúmeros porres, segredos e intimidades. Posso dizer que se tem uma pessoa que me conhece bem, é ele, mesmo que estejamos em pólos diferentes no hemisfério. Ele foi o cara que conseguiu traduzir, com uma frase apenas, todo sentido da verdadeira amizade. Em uma das inúmeras vezes em que eu estava fazendo merda – e não foram poucas – ele me disse: “Sandra, você vai se f#der mas, tô aqui segurando a sua mão”. Não precisei de mais nada na vida naquele momento. Só da sua mão segurando a minha.
E, como daquelas coisas inusitadas que a gente acha que nunca mais vai acontecer na vida, estávamos nós quatro, novamente, compartilhando copos de chopp, boa comida e risadas. Mesmo sendo outros projetos e outras experiências de vida - cada um com suas próprias, vivenciadas em todos aqueles anos de gap - tenho certeza que todos nós carregávamos aquela euforia e felicidade adolescente de estarmos juntos novamente.
O próximo encontro vai ser no Rio Sul, pra tomar uma taça Viena. Por que estamos com saudade da época que matávamos aula pra ir pro Rio Sul tomar uma taça Viena. Estamos com saudades das nossas noites no Trombada, nossas nights no Resumo da Ópera. Saudades das viagens a Iguaba, saudades do point da praia no Leme, dos chopps no Sindicato, das festinhas surpresa de aniversário...
Tava com saudades dos meus mosqueteiros. Tava com saudades desses momentos leves com pessoas tão importantes. Tava com saudades da minha juventude, saudades dos meus amigos. Saudades daquilo que ficou lá atrás, daquilo que compartilhamos na melhor fase das nossas vidas. Saudades de estar com pessoas tão minhas, apesar de toda a distância. E, como me disse um deles, num torpedo no finalzinho do dia que me arrancou lágrimas, saudades disso – isso tudo – que a gente não constrói com qualquer um.

Para Vito, Cores e Possi.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Tratamento VIP

Embalada nesse clima meio místico, meio "Nosso Lar", lembrei de uma história por mim vivenciada há algum tempo atrás. Longe de mim as críticas a qualquer religião. To apenas retratando aqui uma experiência que tive, como outra qualquer. Minha mente sempre foi aberta a todas a religiões e suas práticas, mas confesso que sempre fui muito mais adepta a doutrina espírita e esotérica do que as outras.
Não sou estudiosa, nem praticante, nem defensora. Sou apenas curiosa.
E como a curiosidade sempre foi inquietante em minha alma, essa constante busca do não-sei-o-quê, me faz parar uma certa vez - num desses surtos de busca de paz de espírito e consolo - num centro de umbanda branca, bastante conhecido, perto de um grande shopping no subúrbio do Rio.
E lá fomos nós, eu e minha fiel escudeira Michele, amiga de fé e irmã camarada, no intuito da tão sonhada limpeza de alma, através dos passes magníficos que este lugar proporcionava. Sempre tem alguém que diz: ah, vai sim, eu já fui lá, é muito bom!
Michele, com suas crenças espíritas bem mais enraizadas que as minhas, me confirmou a idoneidade e eficiência do lugar, pois também conhecia outras pessoas que já se haviam beneficiado daquelas emulsões de luz e energia...
Chegamos cedo, mas a fila já estava enorme. Era dia de atendimento de caboclo. Cada dia tinha uma entidade que atendia: tinha dia de vovó, de preto velho, essas coisas que não entendo. O lugar parecia uma igreja enorme, com uma grande platéia e um palco bem grande. Neste palco os mediuns trabalhavam, todos eles vestindo branco, todos eles no palco, atendendo ao mesmo tempo. Pegamos uma senha, todas felizes, afinal estávamos ali doidas pra dar um trato no nosso espírito.
Antes porém, tentando usar um pouco de educação e simpatia, fomos na sala da "gerência" pra saber como funcionava o esquema, se tinha que pagar alguma coisa, como era o trabalho que eles realizavam...
O gerente do lugar, a princípio, nos recebeu com um ar meio arrogante, meio autoritário. Não sei o que se passou na cabeça dele. Ele percebeu, obviamente, que não éramos dali. Não sei se ele achou que estávamos ali pra investigar ou testar alguma coisa. Bem, a conversa foi evoluindo e depois ele percebeu que éramos do bem e, por sermos novas e completamente estranhas naquele ninho, disse que nos daria tratamento VIP.
Lá fomos nós, eu e Michele, pro salão, no aguardo de chamada do nosso tão esperando número de senha. Tinha gente pra cacete. Muita, muita gente esperando. E nós também. A empolgação já tinha deixado o ambiente há muito tempo. Nem mais papo a gente tinha.
Já eram quase 22h da noite - detalhe, chegamos por volta das 18h - quando a pessoa que organizava as senhas, falou que era pra todo mundo subir no palco, que não ia mais seguir senha nenhuma. (como assim?)
Já estávamos exaustas, tiramos os sapatos e entramos numa fila.
Comecei a pensar que aquela limpeza deveria ser boa mesmo, visto que nós estávamos há horas esperando ali. Lá no palco, observamos os médiuns e as pessoas que eles atendiam. Tinha um coroa lá que todo mundo que ele atendia começava a dançar, meio que entrava em transe, a receber santo. Michele me disse que ele chamava pelo santo da pessoa, que ela não queria ser atendida por ele, não.
Comecei a sacanear a minha amiga, e dizer que na hora que ela fosse atendida, a pomba-gira dela iria incorporar e ela ia começar a sair rodando, e eu ia sair correndo e deixar ela ali sozinha. Ela só me dizia que não, nada haver, isso não iria acontecer mesmo.
De repente, o tal gerente subiu no palco, falou com a moça das senhas - que a esta altura também já estava dando atendimento - e apontou pra nós duas.
Suei frio.
A moça pediu pra que nós saíssemos da fila.
Falei: “Michele, f#deu. Devemos estar muito carregadas, amiga. Tiraram até a gente da fila”.
Começou aquele misto de riso e nervoso, cansaço de mais de 4 horas de espera e medo - aquele cagaço do desconhecido, medo das forças ocultas, medo do castigo divino, medo da minha alma não merecer aquele olhar espiritual...
Resumo da ópera: Fomos as últimas a ser atendidas.
Michele foi primeiro. O atendimento dela foi rapidinho - como assim? ela tá mais limpa que eu?
E lá fui eu. Quem me atendeu foi a moça das senhas, que incorporava o chefe dos caboclos daquele dia. Me falou algumas coisas meio óbvias - quem procura esses lugares sempre busca um conforto espiritual, uma frase amiga, um chocolate, enfim, qualquer coisa pra dar aquele ugrade no ânimo. Depois veio uma criança e depois um desses homens de povo de rua. Cara, minha cabeça embananou e não sei se era cansaço, não sei o que era, mas o cara lá me mandou fechar os olhos e começou a cantar uma música. Senti minhas mãos formigarem e um soninho esquisito veio vindo, me senti balançar e um zum-zum-zum na minha orelha... Bem, acabou, recebi um abraço afetuoso da entidade e tratei de sair dali o mais depressa possível.
Quando vi, Michele estava sentada no banco e ria.
Falou que meu santo quase tinha virado.
Eu nem sabia que tinha santo, ainda mais que ele virava alguma coisa.
Nunca mais voltei lá. E nem quero passar perto. Da experiência positiva, só mesmo o mico da noite. Não é a minha, definitivamente.
Fikadika: (como diz minha amiga Aninha) se algum dia for a algum desses lugares, pega sua senha e fica quietinho. Nada de querer fazer social e falar com o gerente. Quanto mais anômino melhor.
E se sua acompanhante tiver alguma noção daquilo que tá falando não tira onda: afinal, Caboclo nos olhos dos outros é refresco.